Maria Poesia

Psicanálise e a Poesia na Vida Cotidiana.

A gente inventa a vida para caber dentro dela.

Textos



Eu te amo,
mas porque inexplicavelmente amo em ti 
Algo mais que tu
“(Lacan).


O que faz com que escolhamos aquele parceiro (a) e não o (a) outro (a)?

Amamos aquele (a) que carrega um traço, uma marca que persiste e se repete, no primeiro, e , em todos os (as) parceiros (as) sucessivos da nossa história amorosa.

Preste atenção: 
Este traço não é outra coisa senão a nós mesmos - ou a nossa constituição psíquica que carrega os *traços*dos nossos primeiros amores (pai e mãe).

O sujeito é o traço comum dos objetos amados e perdidos na sua biografia.
Vamos procurar neste mundo pela vida afora o mesmo amor e cuidado que ganhamos (ou não) na nossa infância.
Desta forma escolhemos parceiros semelhantes ou opostos aos nossos pais ou substitutos.


Então veja só; o amor fálico é uma
relação essencialmente fantasiosa com o outro, é uma forma de transferência imaginária como diz Lacan: 

... em ti, eu amo mais do que tu (és).

Por isso a harmonia (completa) não é possível,
pois a gente ama no outro algo a mais (algo que é nosso) que o outro nunca terá.
O sujeito amado é como se fosse um objeto que tomamos de empréstimo, para recobrir os fantasmas que gravitam em torno do nosso mundo imaginário.

Nós nos enganamos e daqui há pouco vem à decepção.
- "Ah... mas o (a) fulano (a) me enganou".
Mentira.
O outro apenas foi enganchado pela nossa pulsão... e daí nós vamos buscar outra coisa, um outro objeto que esteja mais parecido com os nossos traços.
 (percebe onde se situa - ou começa- a traição?).


É como se nós apenas aguçássemos o nosso desejo... sentíssemos tesão, mas nunca nos saciássemos completamente.
Em O Mal-estar da civilização, Freud indica que amar e ser amado é um dos meios que o ser humano dispõe na busca da felicidade. 
Freud também diz que, com o amor não alcançamos a plenitude, mas uma felicidade da ordem do possível.


Ter conhecimento destes movimentos da pulsão, não é para nos tornarmos amargos e desacreditarmos na possibilidade de amar, mas pode sim nos ajudar a enxergar *o outro* dentro da nossa condição humana e com menos fantasia.


Quem sabe o verdadeiro amor seja apenas um calafrio doce, um susto sem perigos, como diz Guimarães Rosa e que possamos encontrá-lo num tempo não de carrilhões, sinos tocando ou foguetes estourando, mas num “tempo de delicadeza” como tão bem canta nosso Chico Buarque"!

Neusa Maria 
17.07.2015

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Neusa Maria
Enviado por Neusa Maria em 03/08/2015
Alterado em 31/01/2016
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