Maria Poesia

Psicanálise e a Poesia na Vida Cotidiana.

A gente inventa a vida para caber dentro dela.

Textos



Tinha que ser você.
 
“Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada”
(Freud)

 
O homem faz amor com seu inconsciente nos diz Lacan, ou seja, nosso inconsciente *sabe* a hora (e faz acontecer) os estados de enamoramentos em nossa vida.
O encontro com este *outro* vai acontecer num momento em que estivermos precisando de transformação.

Uma paixão, um amor - sempre nos modifica.
 
Somos metamorfoseados quando o amor se instala.
Nunca mais seremos os mesmos.
 
Sempre que precisamos de um impulso na vida nos apaixonamos.
A paixão evolui ou não para o sentimento amoroso com as suas variáveis e intensidades.
Ou como uma tempestade, com raios e trovões que inundam e encharcam o nosso cotidiano com as águas das loucuras ou com a delicadeza e a leveza de uma mãe quando tira o bico da boca do seu bebê dormindo (já viu esta cena?... é surreal. parecem anjos).
 
Foi assim no filme Tinha que ser você - com Harvey (Dustin Hoffman) e Kate (Emma Thompson).
Não houve fogos de artifício para anunciar o amor que nascia.
O encontro partiu da realidade de suas vidas.
Sem fantasias.
Começa com os dois declarando o avesso de si.
Seus sonhos fracassados, suas vidas *reais*.
Nada de idealizações.
 
Amar é dar o que não se tem (Lacan).
O que não temos é o que nos falta, certo?
Para Harvey faltava tudo.
Sua família tinha vergonha do seu jeito de ser.
Ele tinha a existência rasgada pela dor do desamor.
Kate tinha medo da entrega.
Para ela era melhor ficar só, já que um dia ela iria sofrer com o abandono (assim como seu pai abandonou a mãe).
Confessa um aborto para Harvey.
 
Com este filme podemos aprender que a dialógica do amor não surge da sedução e das fantasias (de ser quem não somos), mas da *coragem* de nos apresentarmos pelo nosso lado capenga, nosso pior, nossas feridas e nossas perdas.
 
Na última cena... linda!
Uma brisa suave balança as folhas verdes e aveludadas de um parque em Londres... enquanto Harvey e Kate caminham de mãos dadas.
Confesso que eu senti o aroma do amor nas narinas daquele vento suave e macio.
Um amor elegante na simplicidade da sua quintessência...
O rizoma amoroso na sua parte mais pura...
 
do que se é...
 
Lembrei-me de Freud quando ele diz que é o amor a grande possibilidade da vida!
 
Tem alguma coisa melhor nesta vida do que sermos amados pelo que realmente somos?
 
Neusa Maria 
12.06.2015


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As Pontes de Madison 

Closer- Perto Demais

O Segredo dos Seus Olhos







 
 

 
Neusa Maria
Enviado por Neusa Maria em 12/06/2015
Alterado em 30/01/2016
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