Maria Poesia

Psicanálise e a Poesia na Vida Cotidiana.

A gente inventa a vida para caber dentro dela.

Textos


No viés da existência, mesmo dilacerada pelo sofrimento, aprendi – mas ainda me esqueço disto em muitos momentos - que é a delicadeza que me faz perceber o que mora nos interstícios,
o “lugar - entre”...
 
...do que eu vejo... do que eu escuto...do que eu leio...do que  toco...do que eu falo...
e do que eu sinto.
 
Mas principalmente permite que eu enxergue o “lugar - entre” dos meus erros.
É lá que eu posso ver (mesmo que sutilmente) a fenda que se abre no fosso das minhas angústias e dos meus desbordamentos.
Posso então sentir o cheiro forte que exala das escaras purulentas, vertendo o sangue das amputações sem anestesias das minhas feridas não cicatrizadas, gangrenando minha carne, que esquartejada e lacerada pulsa.
 

Confesso,
nem sei se pela vida ou pela morte.

 
É no “lugar - entre” dos meus abismos que posso ver meu negrume, e minha sombra abissal e imponente (e muitas vezes cruel).
 
Então eu cuido...
cuido muito para que a brutalidade dos instintos  não me invada,
que eu me perceba humana sim,
limitada sim, frágil sim...
mas que a ternura derramada na hiância no meu olhar amoroso, também consiga apreender no presente, os subtextos, nas imbricações dos acúmulos do meu passado, “entre” as elipses do meu devir...
 
 
o além da idéia de mim!
 
Neusa Maria 
14.12.2013



Imagem=Obra de Camille Claudel.

*Pensando em Buber-filósofo Austríaco, que sublinhou o "entre" as coisas uma categoria primordial no entendimento humano.

 
Neusa Maria
Enviado por Neusa Maria em 14/12/2013
Alterado em 30/01/2016
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