Maria Poesia

Psicanálise e a Poesia na Vida Cotidiana.

A gente inventa a vida para caber dentro dela.

Textos


 “O mais importante e bonito, do mundo, é isto:
 que as pessoas não estão sempre iguais,
ainda não foram terminadas
 – mas que elas vão sempre mudando.
Afinam e desafinam.
(
Guimarães Rosa)
 
 
Sobre o filme O voo.

Whip (Denzel Washington) é um piloto de aviação, que é dependente de álcool e usuário de cocaína.
Durante um voo, houve problemas técnicos com o avião, e mesmo com a queda iminente, ele consegue minimizar o impacto da acidente, com apenas 6 (seis) pessoas mortas dos 102(cento e doze passageiros).


 

É o meu objetivo nessa resenha, mesclar os conhecimentos científicos a respeito da dependência de álcool e drogas, com as cenas do filme,pois penso que ele pode ser usado como pré-texto ou como estratégia em discussões, palestras e aulas sobre o consumo de substâncias psicoativas.
 ...
Antes de tudo precisamos entender a Biologia da dependência de substâncias psicoativas-como acontece a dependência no nosso corpo está bem?
 
As substâncias psicoativas agem no Coordenador geral de todas as nossas funções corporais:
O Sistema Nervoso Central (SNC).

Vejam só:
É o nosso sistema nervoso que comanda nossas relações com o mundo exterior. Ele ajusta e coordena as atividades do nosso corpo.

São os nossos órgãos dos sentidos que são os informantes do SNC (Sistema Nervoso Central).

A missão dos órgãos dos sentidos é perceber e  recolher os estímulos externos, transformando-os em
impulsos elétricos que percorrem os neurônios. (até chegar ao cérebro para ser processado).
 
Neurônios então são as células do nosso sistema nervoso responsáveis por levar as informações ao cérebro(são as células fofoqueiras).
 
Toda informação que chega ao nosso cérebro é catalogada e arquivada na nossa memória.
É a ela (as nossas memórias) que o cérebro recorre quando precisa resolver problemas, tomar decisões, comandar os movimentos corporais e organizar o pensamento.(Lá dentro está arquivada nossa biografia desde quando éramos bebezinhos ainda)
 
Continuemos:


Foi em 1954, que o neurobiólogo americano James Olds descobriu que todos nós temos no cérebro uma área chamada sistema de recompensa que nos fornece bem estar e prazer cada vez que executamos atividades prazerosas.

Foi com essa descoberta que em 1996 – a dependência de substâncias psicoativas  passa a ser considerada uma doença. Anteriormente os dependentes eram rotulados de vagabundos, fracos e pessoas com desvio de caráter. (triste isso não é? - quando ainda hoje ouvimos esse tipo de observação)
 
Com a descoberta desse centro de recompensa no nosso cérebro estava explicado porque nós fugimos do que nos causa dor, mas queremos repetir o que nos causa prazer.

É o prazer que sentimos ao comer, ao fazer sexo, ao alcançar uma vitória, ao fazer esportes, ao ganhar carinhos, aos nos sabermos queridos por quem amamos.

Aí é que mora o perigo para se tornar um dependente, pois,
as drogas e o álcool acionam esse sistema de recompensa no cérebro, agindo como se fosse um curto circuito, provocando uma ilusão química de prazer que faz com que a pessoa passe a repetir seu uso compulsivamente.

Afinal - é a certeza do prazer. Só que -como o efeito desse prazer ilusório é rápido, outras fontes naturais de prazer vão perdendo aos poucos o significado, e ao dependente só interessam o prazer imediato da droga, mesmo que isso comprometa e ameace sua vida.

Ora, se existe a possibilidade de um prazer rápido, porque estabelecer relacionamentos afetivos, comer, conversar, trabalhar que são as fontes naturais de prazer, mas que não são imediatos?
 
Precisamos construir as amizades, precisamos construir o amor e os afetos, precisamos construir respeito e admiração pela nossa família. E isso leva tempo.

A droga então perverte esse repertório, esse centro de busca de prazer. Tudo que um dependente de drogas e álcool não quer saber, é de esperar por alguma recompensa.Ele quer tudo já e com a maior intensidade possível.
 
Agora vamos entender como se dá esse processo biologicamente no nosso corpo.
 
Vou usar como analogia a imagem de uma bateria de um carro 
 
 

e dois cabos com uma lâmpada:



Tenho certeza que você vai compreender muito bem todo o processo da dependência.

Faremos de conta que a bateria é a fenda sináptica e o líquido dentro dela são os neurotransmissores.

Calma... você já vai entender o que significam esses nomes esquisitos e todo o processo biológico, vou explicando com bastante simplicidade.
Me acompanhe...vá viajando comigo nas minhas palavras e nas imagens...
 
Lembra que são os neurônios que levam para o cérebro as informações captadas dos nossos órgãos do sentido, certo?
Só que um neurônio não se conecta diretamente ao outro.
Entre um neurônio e outro existe a Fenda sináptica (onde estão os neurotransmissores –como se fosse uma ponte que ligasse os dois neurônios) - e que para entender ,vamos imaginar na imagem a bateria.
Entendeu até aqui?
 
Agora preste atenção... se eu ligo um cabo(neurônio) na bateria não acontece nada, (veja na imagem da bateria no lado esquerdo- eu circulei em vermelho)
 

 
eu preciso ligar o outro cabo no outro lado da bateria (lado direito-circulado de vermelho) para que aconteça a sinapse.(luz acesa)
 

 
Viu agora como a luz acendeu?
Aconteceu uma sinapse (a luz que acendeu = um neurônio foi conectado a fenda sináptica com outro neurônio que recebeu o impulso elétrico. E esse curto circuito foi para o cérebro.
 
Repetindo, olhe de novo as imagens na sequência:


Um cabo -lado esquerdo ligado na bateria e outro cabo-lado direito ligado na bateria = lâmpada acesa = sinapse.
 

É desse jeito que as células do cérebro conversam.
É essa luz acesa (as sinapses) que chegam ao cérebro com a informação captada,pelos órgãos do sentido.
 
Vamos traduzir com a cocaína por exemplo:
A cocaína é cheirada(entrou pelos órgãos do sentido)na fenda sináptica a dopamina foi acionada e a informação passa para o neurônio seguinte-pronto-deu-se a sinapse e a informação do prazer chegou ao cérebro.
 
Agora preste atenção:
Dentro da fenda sináptica (no caso da bateria a água) existem os neurotransmissores, e é aqui nesse momento que se processa a dependência.
 
Vou explicar melhor:
 
Cada neurotransmissor tem uma mensagem específica para o neurônio seguinte. Quanto mais neurotransmissores forem liberados na fenda mais intenso o estímulo será. (maior o prazer).
 
Já sentiu num orgasmo um prazer tão intenso que a sensação de prazer vai até o dedinho do pé?
Chega a latejar de tanto prazer não é mesmo?
 
Pois é assim que funcionam os neurotransmissores. Distribuem o prazer para o corpo todo.

Agora atenção:


As Drogas pervertem esta naturalidade dos neurotransmissores.Fica tudo muito confuso para nossos órgãos internos interpretarem o que está acontecendo.
 
Outra coisa importante é que a remoção dos neurotransmissores da fenda sináptica deve ser rápida, pois quanto mais tempo o neurotransmissor permanecer na sinapse, maior será o estímulo propagado.
 
As drogas pervertem essas bombas de recaptação (não fazem a recaptação normal rápida) fazendo com que o neurotransmissor continue mandando estímulos de dentro da fenda sináptica. É o que faz a cocaína, fica emitindo estímulos de prazer - nos neurotransmissores(dopamina) e impede a recaptação.O prazer fica como que retido na fenda sináptica.
 
Para entender melhor:

Imaginemos que numa relação sexual, o orgasmo ao invés de durar alguns minutos – o pênis continuasse  ereto mesmo depois da ejaculação com orgasmos contínuos dentro da vagina por horas numa ereção  ininterrupta por tempo indeterminado. Já imaginou o estrago que iria ser?
 
Pois é assim mesmo que a dopamina dentro da fenda sináptica fica emitindo estímulos de prazer.Como não é sugada pelas bombas de recaptação o dependente pode ficar horas "gozando",dependendo da qualidade e quantidade da droga. 
 
Com o álcool, por exemplo, o etanol chega ao cérebro - e estimula os neurônios a liberar uma quantidade extra de serotonina e endorfina- que regula o prazer, o humor e a ansiedade. (desinibição e euforia).
A fenda sináptica se enche desses neurotransmissores e a bomba de recaptação não dá conta de esvaziar a fenda sináptica.
O que acontece você já sabe, não é?
 
O que a ciência sabe é que alguns indivíduos possuem déficits na neurotransmissão de dopamina.
Por isso algumas pessoas desenvolvem ou não a dependência.
 
O álcool, de alguma forma, consegue sanar essa deficiência e o seu uso pode ser uma forma de relaxar e de se manter mais tranqüilo.
Muitos começam assim a dependência, para vencer a timidez por exemplo, só que, como vicia,em pouco tempo o indivíduo não consegue mais parar de fazer o uso, pois no início ainda percebe ganhos.As perdas aparecem mais tarde.E a continuidade do vício vai ser para conter os efeitos colaterais da abstinência.(que são terríveis).
 
Consegui explicar o mecanismo biológico com meu exemplo?

É importante compreender que é o neurotransmissor o responsável em conduzir a transmissão de uma célula nervosa (neurônio) para outra.

...
 
Whip e a dependência.

Depois do acidente, Whip foi considerado um herói, pois com suas manobras havia conseguido salvar os passageiros de uma tragédia que poderia ter sido mortal para todos.
Só que ele sabia quem ele era. Sabia que era um piloto excepcional, mas sabia também que era alcoólatra e que –
inclusive pilotava bêbado e drogado- o que colocava em risco a vida de muitas pessoas.

Na noite anterior ao acidente ele havia dormido pouco, passara a noite bebendo e se drogando com a aeromoça Trina Marquez (Nadine Velasquez)que havia morrido no acidente.
O exame toxicológico de Whip havia acusado o álcool e a cocaína, mas o advogado dele havia desqualificado o exame.
 
Preste atenção agora, principalmente você que é um dependente ou familiar, ou amigo de alguém que tenha essa dependência.(ou ativa ou em recuperação)


 
No dia do julgamento, já no final do filme, quando Whip iria ser isentado de qualquer culpa, já que houve mesmo falha técnica no avião, a juíza que conduzia o interrogatório pergunta a ele sobre as três garrafas de bebidas alcoólicas que estavam no lixeiro do avião, e que só poderia ter sido consumida pelos tripulantes.(durante o voo).
 
Dos cinco tripulantes, haviam dois resultados positivos para tóxicos, o dele e da Trina (a aeromoça que havia passado a noite anterior ao acidente com ele).
Trina mesmo morta teve seus resultados de sangue analisados e constatados resíduos de drogas e álcool.

Se Whip  negara o consumo, a culpa cairia para Trina, mas- como ela morrera tudo ficaria por isto mesmo.
 
Mas, daí a reviravolta.
Num gesto que emociona, e que faz o coração da gente cantar, (eu tive vontade de dar um abraço nele através da tela, como se eu estivesse abraçando todos os dependentes em tratamento que eu tanto amo)

Whip não deixa uma inocente mesmo morta assumir a culpa que era dele.

Ele finalmente confessa publicamente que é um alcoólatra e vai preso.
Que cena maravilhosa, venceu a dignidade e a verdade de um homem que havia passado sua vida na mentira.
  
O que pouca gente sabe ou imagina, é que o consumo de substâncias psicoativas não tem o poder de transformar a nossa personalidade.
Afeta  a memória, a capacidade de concentração, raciocínio e altera o sistema nervoso.

Mas todas estas alterações não fazem com que modifiquemos o que somos.

Não transforma uma pessoa do bem em um perigoso bandido.

A droga libera sim o instinto primitivo(que todos nós temos), solta os nossos freios e a permissividade do "tudo pode" se irrompe contra todas as regras sociais.

Atenção:

Esses atos transgressores  são transformados (pelo consumo da droga e álcool) em atitudes normais dentro do cérebro do dependente, porque o que muda durante o consumo são os nossos valores,
não o que (de fato)somos.
 
Nossos sentimentos se originam no cérebro e não no coração. Quando um dependente tanto de álcool como de drogas busca um tratamento, ele volta a viver de acordo com os valores que são seus, mas que durante o uso das substâncias foram alterados.
 
É muito comum as pessoas em tratamento nos perguntarem se eles ainda tem jeito, já que muitos chegam nas casas de recuperação em carne viva, ardendo em sua dor, pela vergonha e arrependimento de tudo o que foram capazes de fazer. Alguns chegam algemados, escoltados por policiais pelos delitos que cometeram.
 
Muitas pessoas com o seu preconceito e desconhecimento da problemática das drogas marginaliza o dependente, fazendo-os acreditar que não há mais esperança e eles se sentem mesmo como se eles fossem mesmo o lixo dos esgotos da sociedade.
 
Não é verdade.
 
Sim, com certeza eles escolheram um dia beber ou se drogar-
erraram feio, mas há esperança desde que eles queiram a mudança.
 
Ninguém- nem mesmo as drogas e o álcool conseguem apagar quem de verdade somos.


A força que existe na nossa alma é maior do que tudo.

Mas

 
Porque a droga?Porque o álcool?


O Desamparo – Pontuações importantes:

O ser humano nasce numa condição de extremo desamparo.Nada somos sozinhos.

O choro é nosso primeiro pedido de socorro e ao sermos atendidos nas nossas necessidades, nossa memória corporal guarda esse registro.

O que pensamos então?
Que somos nós que criamos o amparo as nossas necessidades.
Ora, se choramos e somos satisfeitos seria a lógica.
Como nossos neurônios estão se mielinizando,(se formando) incorporamos essa "verdade"na memória do nosso cérebro.(lembra do que refletimos sobre os neurônios?)

Que o outro sempre vai nos cuidar e nos amparar.

Mas a vida vai se encarregar de desmascarar essa
(doce)ilusão.
Os "nãos" que vamos recebendo, as rejeições que vamos sentindo, vão nos mostrando que a coisas não são bem assim.

Conclusão: Não temos nenhum controle sobre o cuidado e o amor do outro por nós, mas ao mesmo tempo precisamos tanto do outro para dar sentido as nossas vidas.
Veja só a complexidade desse sentimento então, somos tão dependentes do outro, precisamos de vínculos,  mas -inexoravelmente- e inevitavelmente- somos sempre tão sós.

O que ocorre então?
Em situações, quando de novo nos sentimos carentes e necessitados de  amor, dispara aquela marca inicial de desamparo, só que por mais que choremos, nem sempre seremos atendidos nas nossas demandas por afeto.
O resultado disso é que de alguma forma buscamos uma compensação desse desamparo.

A droga e o álcool podem substituir(ilusoriamente)esse cuidado e o amparo de que tanto necessitamos. 


Freud diz que é impossível enfrentar a realidade a todo momento sem um mecanismo de escape.
Um mecanismo de escape pode ser o "tesão" pelo conhecimento, o esporte, um hobby que nos dá sentido nas horas de lazer.

Na arte podemos singularizar nossas vidas e reforçar os alicerces da nossa relidade.

Nietzsche já dizia que “A arte existe para que a verdade não nos destrua”.

 
Nós poetas somos previlegiados, nos nossos versos podemos derramar a dor,a angústia e o desamparo que transbordam em nosso coração.
 
Mas cada um de nós deve procurar onde pode fazer sua catarse pessoal.
Infelizmente alguns encontram na droga ou no álcool essa possibilidade.
 

Percebe-se, nos depoimentos dos dependentes, que no consumo há a ilusão de nada mais faltar na vida. É como se fosse um orgasmo constante.

Qualquer dependência é uma compulsão.
Dependência é uma experiência da ausência.
Vamos ao encontro de drogas ou álcool para ser- um -outro.(que nos faça companhia)
 
Para o dependente existe uma "impossibilidade" de experimentar as experiências em sua plenitude.
Tudo é experimentado de forma parcial, sem uma entrega absoluta.
Para compensar essa insatisfação, o dependente acaba desenvolvendo a compulsão, pois a sensação de incompletude - que não se encerra no momento de saciedade, - é interpretado pelo cérebro como um desejo que nunca se acaba.
 
Compreender que seremos sempre seres desejantes, que teremos sempre uma insatisfação, que algo sempre vai  nos faltar, que todos nós sentimos desamparo em algum momento da vida, por mais felizes que proclamamos ser -
é uma condição para o enfrentamento do real da vida.
 
Termino a resenha desse filme lindo demais, com trechos das palavras finais de Whip, quando ele participa de um grupo de A.A(dentro da prisão): Preste atenção na última frase.
 
"E foi assim.
Eu estava acabado.
Ferrado.
Foi como se eu tivesse atingido o
meu limite na vida... de mentiras.
Eu não poderia
contar mais uma sequer.
Talvez eu seja um babaca.
Pois se eu tivesse mentido
mais uma vez,
poderia ter saído ileso
dessa merda toda.
Continuaria pilotando,
com o meu falso senso de orgulho.
 
E o mais importante, teria evitado
estar preso aqui com vocês,
camaradas, nos últimos 13 meses.
Mas, eu estou aqui.
E estarei, pelo menos,
...nos próximos 4 ou 5 anos.
E isso é justo!
 
Eu traí a confiança pública.
Eu traí.
Foi o que o juiz me explicou.
Eu traí a confiança pública.
 
Meu brevê foi caçado.
E isso é justo!
Minhas chances de voltar a voar
são de escassas a nenhuma.
E eu aceito isso.
Tenho muito tempo pra pensar
sobre isso, tudo isso.
 

Peço também desculpas...
a todas as pessoas
que tentaram me ajudar...
em toda essa trajetória,
mas eu...
...não fui capaz
ou não quis escutar.
 
Pessoas como a minha esposa...
...minha ex-esposa.
Meu filho.
E repetindo:
alguns deles...
...nunca me perdoarão, nunca.

Mas pelo menos, eu estou sóbrio.
Eu agradeço a Deus por isso.
Eu sou grato.
E isso vai parecer estúpido
partindo de um cara
que está preso,
 

mas pela primeira vez na vida...
 
...eu sou livre.


Paz para você, sempre!
Coragem!

Neusa Maria.  08.02.2013


 

Link para outras resenhas:Análises Psicólógicas

Tinha que ser você

O Príncipe das Marés 
 
O lado bom da vida


 


 
Neusa Maria
Enviado por Neusa Maria em 10/02/2013
Alterado em 30/01/2016
Copyright © 2013. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras
Sonhos, Poesia e Psicologia