Maria Poesia

Psicanálise e a Poesia na Vida Cotidiana.

A gente inventa a vida para caber dentro dela.

Textos


Nossos sonhos acabam nos mostrando - dentre outras coisas  - fatos e situações que não queremos mais lidar, nem enxergar em nós mesmos, talvez por serem muito negativos/doloridos para serem lembrados e revividos; mas que precisam voltar para nossa vida consciente, para serem por nós enfrentados - pois o que é “nosso”, mesmo o que não for bom, deve ser aceito, pra que possamos aprender com nossos erros e omissões.

E para nosso  inconsciente não faz diferença se o fato é antigo já, e consumado, pois tudo o que não gostamos ou que passamos, e que não foi bom, não é eliminado da nossa mente - fica "guardadinho" num lugar chamado sombra. 
Nosso inconsciente guarda tudo que fica parado, sem trabalhar, e ele atua tanto em sonhos, como nos nossos comportamentos. (as vezes inconscientes e até repetitivos )
- Muitas vezes são repetitivos, justamente porque nos negamos a perceber nossas falhas, queremos ser sempre perfeitos, ...como é ruim perceber-se limitado não é? ) , mas somos humanos e podemos nos desequilibrar e fazer escolhas indevidas.

Qual é a imagem que nosso inconsciente tem de bandidos, ladrões, assassinos e assaltantes?
Que são pessoas que querem algo nosso; que é alguém que esbarra conosco, ou entra na nossa casa, e vai nos trazer perdas.

Sonhar com estes símbolos (imagens) podem ter sentidos diversos se forem sonhados por um homem, ou por uma mulher.
Vejamos:


Se o sonhador for mulher:
Homens em sonhos femininos simbolizam nosso animus – nossa polaridade masculina.
É nosso lado mais objetivo, mais prático e mais racional de enfrentar a vida.
Pode indicar que a “figura”, a imagem interna masculina está precisando ser purificada, ressignificada, pois se, por exemplo, um homem foi desonesto, nos feriu, e nos “roubou” a paz, nem todos os outros homens agem assim.
O sonho vem então, pra que possamos pensar na nossa insegurança, no nosso medo de ser novamente “roubada”.

Então o que devemos fazer?
““ Ser “mais” para nós mesmos, não se autocondenar, não sentir autocomiseração por ter “caído” nas garras de homens” assassinos” dos nossos sonhos.
Mas também não nos fazermos de vítimas, afinal fomos nós que os deixamos entrar na nossa vida. Abrimos nossas janelas, deixamos nossas fechaduras abertas, ou elas foram/são muito frágeis.
Nossa entrega foi errada, (admitamos isto sem nos diminuirmos)- e foi intensa demais, sem ter a segurança de quem nos  recebeu tão veementemente.

Carência?
Todos somos carentes.
Como vamos administrá-la no nosso cotidiano é a grande questão.
Lembrar sempre que quanto mais “precisamos” dos outros, menos temos de nós nas nossas atitudes.
....a reversão está neste pensamento.
Tenho que ser mais para mim, para precisar menos do outro.
Ou na verdade nem precisar do outro.
Fazer dele um complemento do que já somos.
Difícil?
Sim.
Muito difícil.
Impossível?
Jamais.
Solução?
Investir em si mesma.
Se autoconhecer.
E os sonhos são uma fonte inesgotável de entrar nos nossos porões escuros.

Voltando ao exemplo do “
homem bandido
- Pensar que quem sabe naquele momento da nossa vida foi importante ter “cruzado” com um homem  “ladrão” emocional.
Pois pessoas sábias aprendem com seus próprios erros.
Ficamos mais fortes quando assumimos e 
corrigimos nossos erros.
Se eu me conheço posso da próxima vez errar menos, e não deixar minha “casa” tão exposta que qualquer “ladrãozinho” possa adentrar.
 (Casas nos sonhos simbolizam a nós mesmos).
Se o bandido no sonho entra na nossa casa é uma invasão grande que ele está fazendo, um verdadeiro assalto da nossa alma.

A reflexão ao acordar de um sonho com estes personagens, é pensar em dar uma nova roupagem psíquica à imagem idealizada do nosso “homem interno”, e na nossa polaridade, buscar a racionalidade para “escolher” melhor "quem deixamos” entrar na nossa vida.
...


Quando o sonhador for masculino:
 
Homens em sonhos de homens simbolizam a nossa sombra.
Sombra é tudo aquilo que não conhecemos de nós, ou porque não queremos lembrar, ou porque ainda não tivemos contato com aspectos nossos ainda desconhecidos.
O que você enquanto homem rejeita em você mesmo?
Qual dos seus “eus” se apresenta em forma de “ameaça”, não só para quem se aproxima, mas muito mais para você mesmo?

Há situações muitas vezes provocadas por nós mesmos que nos trará prejuízos, mas que não temos consciência do perigo, ou não queremos enxergar e até mesmo não sabemos como reverter.
E abrimos demais a guarda da nossa casa (de nós mesmos) e nossos “assaltantes” emocionais nos roubam de nós mesmos.
A insegurança é uma grande causadora destes sonhos.
O que nos deixa seguros?
Quando somos donos de alguma coisa, temos domínio sobre o que vamos falar ou agir, quando conhecemos como somos, como agimos em determinadas situações, ou de enfrentamentos, oposições e conflitos.
 
Quanto mais consciente nos tornamos de nós mesmos, mais condições adquirimos de identificar este “
malfeitor” interno – afinal ele é um modelo de homem, uma formatação do nosso repertório (todos tem seu lado malfeitor – sem exceções), a grande sacada é primeiro conhecê-lo e depois aprender a lidar com ele, de modo que ele não nos prejudique e nem aos outros. 
Conhecê-lo significa perceber em que momentos, em que situações “ele “age.
E quando se defrontar com estas situações limítrofes, pensar - antes de agir impulsivamente.
Quanto menos consciente, (menos conhecermos de nós mesmos) mais ele atuará,  sem que possamos nos dar conta, e sem nenhum controle interior, vai nos proporcionar perdas psíquicas.
 
Termino este texto com um pensamento.


“ Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e
devo fornecer minha resposta; caso contrário,
estarei reduzido à resposta que o mundo me der.”

 (Jung)


  
Paz pra ti, sempre!
Ne. poesia 27.01.2010 

 
Este artigo tem como constructo teórico a Psicologia de Carl Gustav Jung – Psiquiatra Suíço e fundador da Psicologia Analítica Junguiana.
O estudo sistemático dos sonhos, de seus pacientes e dos seus próprios sonhos, bem como dos conceitos Junguianos, encontram-se descritos numa extensa bibliografia deixada como herança deste grande curador de almas, como também dos seus inúmeros discípulos (Marie-Louise Von Franz, por exemplo) que nomeá-los aqui como referencias a lista seria extensa demais.
 
O livro O Homem e Seus Símbolos quem sabe seja - para mim - uma referência maior.
Nele Jung pontua que
o homem só se realiza através do conhecimento e aceitação incondicional do seu inconsciente — conhecimento este que ele busca e toma para si, através da análise dos seus sonhos.


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Neusa Maria
Enviado por Neusa Maria em 27/01/2010
Alterado em 12/06/2015
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